sexta-feira, setembro 06, 2013

TONIA CARRERO - UMA ATRIZ MARAVILHOSA E LINDA!

Não vamos deixar que a atriz Tonia Carreiro desapareça e em vida fazer-lhe uma homenagem. 

A MAIS BELA ATRIZ BRASILEIRA VIVE RECLUSA.
 
 
Coluna Mônica Bergamo
Em um Rio de Janeiro infestado de paparazzi, a bela senhora de 90 anos toma seu banho de sol diário em uma praça do Leblon. Não merece o foco de nenhum fotógrafo de celebridades de plantão.
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Mariinha faz o trajeto em cadeira de rodas. Logo retorna ao apartamento que, há cinco anos, divide com o sobrinho Leonardo Thierry, a governanta e duas cuidadoras.
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Os cabelos louros, sempre arrumados, e os olhos azuis raramente são reconhecidos pelos fãs de Tônia Carrero. Há dois anos, a atriz, que nasceu Maria Antonieta Portocarrero e completa 91 anos na próxima sexta, vive reclusa. A comemoração está marcada para domingo, com familiares e amigos próximos.
Na década de 1950, a atriz surgia no esplendor da beleza como estrela da companhia cinematográfica Vera Cruz
 
"Ela está lúcida e bem-humorada, embora, por ter dificuldades de andar, quase não ande; e, por ter dificuldades de falar, quase não fale", relata Cecil Thiré, 71, filho único da atriz, a Eliane Trindade. Justificativa para o ator não permitir à repórter entrevistar a mãe nem fotografá-la.
 
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Os primeiros sintomas de hidrocefalia (excesso de líquido no cérebro) apareceram em 1999. Tônia se submeteu a cirurgia para colocar um dreno debaixo do couro cabeludo e voltou ao trabalho. Nove anos depois, uma nova intervenção não deu resultado.
 
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A última aparição pública foi em abril de 2011, para ver o filho no palco. "A imagem de Tônia hoje é a de uma pessoa que lembra a pessoa que ela foi. Sempre de uma beleza ímpar", diz Cecil. "Minha mãe foi referência de mulher bonita por cinco décadas."
 
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Em recente consulta ao oculista, foi alvo de curiosidade. "Ela me lembra muito a Tônia Carrero", comentou uma senhora, ao vê-la na sala de espera. "Todos dizem isso", desconversou Leonardo, 61, que acompanhava a tia.
 
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Em maio, ela foi internada com pneumonia. Sua fragilidade física quase foi flagrada por um fotógrafo que tentou se passar por amigo, mas acabou desmascarado.
 
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A saúde debilitada fez Tônia se despedir do público paulatinamente. Em 2007, subiu ao palco pela última vez, em "Um Barco para o Sonho", dirigida pelo neto Carlos Thiré. Foram mais de 50 peças em 64 anos de carreira. Sua estreia no teatro foi em 1949, ao lado de Paulo Autran em "Um Deus Dormiu Lá em Casa".
 
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Na TV, em 2004, fez o papel de si mesma na série "Um Só Coração" e sua derradeira novela, "Senhora do Destino". Quatro anos depois, faria sua última atuação no cinema em "Chega de Saudade", no papel de uma idosa com problemas de memória. Cecil nega que Tônia sofra de Alzheimer. Ele mora a dois quarteirões da mãe, a quem visita todos os dias. "É um privilégio conviver com ela."
A atriz em sua festa de 90 anos, em 2012, no apartamento em que vive no Rio 
Mariinha vive cercada do afeto de quatro netos e cinco bisnetos. O xodó é o neto caçula, João, único que a chama de avó. Gosta de estar sempre arrumada: manicure e cabeleireiro a atendem em domicílio. Leva uma vida confortável, graças à venda do casarão no Jardim Botânico onde morou por 30 anos. Recebe pensão por ser filha de general, benefício vitalício que deixou de ser concedido às herdeiras de militares em 2000.
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"Ela não se queixa de nada", diz o sobrinho. A pedido da Folha, Leonardo pergunta à atriz como se sente prestes a completar 91 anos. Ele relata que, na primeira tentativa, a resposta foi o silêncio. Ele repetiu a pergunta. E Tônia: "Eles já sabem". "É como quem diz: 'Tudo já foi dito'", traduz o mensageiro.
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Na celebração de seus 90 anos, em 2012, a família reeditou o livro de memórias "O Monstro de Olhos Azuis", lançado em 1986. Em 154 páginas, Tônia confessa sonhos de criança (ser estrela de cinema), descobertas (do sexo) e inseguranças de adolescente criada sob a rigidez da mãe e o encantamento do pai.
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Desde cedo, a normalista "de fechar o comércio" encarou seus atributos físicos como trunfo. Já declarou: "A beleza não atrapalha ninguém. Isso não aconteceu com Ingrid Bergman nem com Greta Garbo, as mulheres mais lindas do mundo. Por que haveria de acontecer comigo?".
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Na Vera Cruz, companhia cinematográfica que a lançou nos anos 1950, ela encarnava o glamour das divas de Hollywood. Não por acaso, Tônia foi escolhida para abrir a série "Elas", apresentada por Luciana Vendramini. O canal pago TCM levará ao ar dez episódios dedicados às divas do cinema nacional, a partir de setembro. A série mostra o nascimento de uma grande atriz, revelada em 1952 no longa "Tico-Tico no Fubá".
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Laís Bodanzky, que a dirigiu em "Chega de Saudade", relata em depoimento à série como Tônia era reverenciada nos bastidores do longa sobre a velhice. Divertia-se ao ser aplaudida quando cruzava o set para ir ao banheiro. "Ela soube envelhecer de forma pulsante e alegre", afirma a diretora.
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A felicidade de fazer cinema não era a mesma na TV. Ganhou pecha de ranzinza e mimada em "Sassaricando" (1987), de Silvio de Abreu. "Tinha eu atrapalhando", suaviza Cecil, que a dirigia na novela e passou a função ao colega Miguel Falabella.
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Ao 80 anos, Tônia já se ressentia do peso da idade. "Olhar no espelho é uma tristeza", declarou à revista "Época" em 2002. Falou também dos amores. "Posso dizer que tive um caso com Rubem Braga [escritor] e outro com Paulo Autran enquanto era casada com Carlos Thiré [primeiro marido e pai de Cecil]. E sei que agora isso não abala em nada minha respeitabilidade." Sempre negou ter sido amante de Juscelino Kubitschek. "Quem me dera!"
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A produtora cultural Lulu Librandi, 72, foi testemunha das transgressões ao longo de décadas de amizade. "Tônia nunca escondeu os amantes e as plásticas. Adorava cantar e sair pra beber." Traiu e foi traída. Tomou Adolfo Celi, seu segundo marido, de Cacilda Becker. O diretor italiano se apaixonou por outra atriz e a deixou. E ainda pediu as joias da família dele, presenteadas a ela, de volta.
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Autran foi paixão fulminante. "O melhor amante de todos", confessou à amiga Lulu. Cecil brinca e diz que foi o último a saber. O caso com Autran foi revelado a ele pelo próprio, anos depois.
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Fez três plásticas com Ivo Pitanguy. E duas com outra cirurgiã, que indicou depois ao filho. "Seu lema era pequenos cortes, grandes transformações", diz Cecil.
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Em seu exílio domiciliar, Tônia gosta de ver televisão e filmes na companhia de Leonardo. "Não tolera que eu fale mal da interpretação de algum ator", diz o sobrinho.
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Virou matriarca de uma família de artistas: três netos e dois bisnetos são atores. Alguns deles estão agora na TV, ao alcance de seu controle remoto. Na segunda geração, Miguel Thiré, 32, protagoniza a série "Copa Hotel", do GNT; e Luíza Thiré, 39, está na novela "Sangue Bom", da Globo. O bisneto Vítor Thiré, 18, filho de Luíza, é o vilão de "Malhação". Todos herdaram do "monstro" os olhos azuis.

domingo, agosto 25, 2013

A PROPÓSITO DO MAIS MÉDICO - Por Fernando Brito



natasha

Corem diante desta negra, doutores! Ela tem o que os senhores perderam

24 de agosto de 2013 | 20:08
“Somos médicos por vocação, não nos interessa um salário, fazemos por amor”, afirmou Nelson Rodrigues, 45.
“Nossa motivação é a solidariedade”, assegurou Milagros Cardenas Lopes, 61
“Viemos para ajudar, colaborar, complementar com os médicos brasileiros”, destacou Cardenas em resposta à suspeita de trabalho escravo. “O salário é suficiente”, complementou Natasha Romero Sanches, 44.
Poucas frases, mas que soam  como se estivessem sendo ditas por seres de outro planeta no Brasil que vivemos.
O que disseram os primeiros médicos cubanos do  grupo que vem para servir onde médicos brasileiros não querem ir deveria fazer certos dirigentes da medicina brasileira reduzirem à pequenez de seus sentimentos e à brutalidade de suas vidas, de onde se foi, há muito tempo, qualquer amor à igualdade essencial entre todos os seres humanos.
Porque gente que não se emociona com o sofrimento e a carência de seus semelhantes, gente que se formou, muitas vezes, em escolas de medicina pagas com o imposto que brasileiros miseráveis recolheram sobre sua farinha, seu feijão, sua rala ração, gente que já viu seus concidadãos madrugando em filas, no sereno, para obter um simples atendimento, gente assim    não é civilizada, não importa quão bem tratadas sejam suas unhas, penteados os seus cabelos e reluzentes seus carros.
Perto desta negra aí da foto, que para vocês só poderia servir para lavar suas roupas e pajear seus ricos filhinhos, criados para herdar o “negócio” dos pais, vocês não passam de selvagens, de brutos.

Vocês podem saber quais são as mais recentes drogas, aprendidas nos congressos em locais turísticos, custeados por laboratórios que lhes dão as migalhas do lucro bilionário que têm ao vender remédios. 
Vocês podem conhecer o último e caro exame de medicina nuclear disponível na praça a quem pode pagar. 
Vocês podem ser ricos, ou acharem que são, porque de verdade não passam de uma sub nobreza deplorável, que acha o máximo ir a Miami.
Mas vocês são lixo perto dessa negra, a Doutora – sim, Doutora, negra, negrinha assim!- Natasha é, eu lhes garanto.
Sabem por que? Por que ela é capaz de achar que o que faz é mais importante do que aquilo que ganha, desde que isso seja o suficiente para viver com dignidade material. 
Porque a dignidade moral ela a tem, em quantidade suficiente para saber que é uma médica, por cem, mil ou um milhão de dólares.
Isso, doutores, os senhores já perderam. E talvez nunca mais voltem a ter, porque isso não se compra, não se vende, não se aluga, como muitos dos senhores, para manter o status de pertenceram ao corpo clínico de um hospital, fazem com seus colegas, para que deem o plantão em seus lugares.

Os senhores não são capazes de fazer um milésimo do que ela faz pelos seres humanos  desembarcando sob sua hostilidade num país estrangeiro, para tratar de gente pobre que os senhores não se dispõem a cuidar nem querem deixar que se cuide.
Os senhores não gritaram, não xingaram nem ameaçaram com polícia aos Roger Abdelmassih, o estuprador, nem contra o infeliz que extorquiu R$ 1.200 para fazer o parto de uma adolescente pobre, nem contra os doutores dos dedos de silicone, nem contra os espertalhões da maternidade paulista cuja única atividade era bater o ponto.
Eles não os ameaçaram, ameaçaram apenas aos pobres do Brasil.

Estes aí  sim, estes os ameaçam. Ameaçam a aceitação do que vocês se tornaram, porque deixaram que a aspiração normal e justa de receber por seu trabalho se tornasse maior do que a finalidade deste próprio trabalho, porque o trabalho é um bem social e coletivo, ou então vira mero negócio mercantil.

É isto que estes médicos cubanos representam de ameaça: o colocar o egoísmo, o consumismo, o mercantilismo reduzidos ao seu tamanho  a algo que não é e nem pode ser o tamanho da civilização humana.

Aliás, é isso que Cuba, há quase 55 anos, representa.
Um paìs minùsculo, cheio de carências, que é capaz de dar a mão dos médicos a este gigante brasileiro.
E daí que eles exportem médicos como fonte de receita? Nós não exportamos nossos meninos para jogar futebol? O que deu mais trabalho, mais investimento, o que agregou mais valor a um país: escolas de medicina ou esteiras rolantes para exportar seus minérios?
É por isso que o velhíssimo Fidel Castro encarna muito mais a  juventude,que estes yuppies coxinhas, cuja vida sem causa  cabe toda dentro de um cartão de crédito.

Eu agradeço à Doutora Natasha.

Ela me lembrou, singelamente, que coração é algo muito maior  do que aquele volume que aparece, sombrio, nas tantas ressonâncias, tomografias e cateterismos porque passei nos últimos meses.

Ele é o centro do progresso humano, mais do que o cérebro, porque é ele quem dá o norte, o sentido, o rumo dos pensamentos e da vida.

Porque, do contrário, o saber vira arrogância e os sentimentos, indiferença.
E o coração, como na música de Mercedes Sosa, una mala palabra.
  
Por: Fernando Brito

domingo, agosto 11, 2013

UM PAI AUSENTE



A orfandade silenciosa

Coluna Atitude Adotiva
Publicado em 22.05.2012, às 15h52

Por Cintia Andrade Moura*

O que entendemos por orfandade? Qual o primeiro pensamento que nos vem à mente quando escutamos essa palavra? Imediatamente, lembramos das crianças desamparadas que perderam os pais. E onde elas estão? Supomos que estão nas instituições de abrigamento ou nas ruas. Ah! Ledo engano. Os órfãos não se encontram apenas nos abrigos ou nas ruas, mas dentro dos incalculáveis lares pelo mundo afora. São os filhos desamparados do afeto, os privados de cuidados, os que perderam o amor daqueles que lhes deveriam ser pai ou mãe.

http://www2.uol.com.br/JC/pai_ausente.jpg
(Foto: Internet)

Muitos filhos não se sentem realmente filhos. Sentem que a televisão, a academia, o trabalho, as viagens são mais importantes que eles. Tudo o mais é sempre mais importante. Desejando manterem-se no controle da situação, esses pais tentam compensar sua ausência afetiva com brinquedos. Dão-lhes presentes em vez de presença.

E o que dizer dos filhos que percebem que não são os mais queridos? Que o irmão ou irmã é mais importante? Se eles pudessem desabafar, diriam certamente que gostariam de serem compreendidos, amados e desejados. São os rejeitados, que tentam de tudo, até mesmo irritar profundamente aqueles a quem querem a todo custo chamar a atenção. Quantos, entre nós, não carregamos lembranças amargas da rejeição, da falta de carinho e do desprezo afetivo?

Já ouvi o amargo desabafo de pais e mães que não conseguem gostar de seus filhos. Alguns deles, ao contrário, chegam a sentir pelas suas crianças uma verdadeira repulsa. Sofrem e frustram-se pelo insucesso na educação da prole. Uma cruel realidade mais comum do que se imagina.

Portanto, a respeito da orfandade, é imperioso que nos perguntemos: Meu filho é um problema para mim ou as minhas limitações e frustrações como pessoa são grandes problemas para ele? Que nível de envolvimento afetivo eu venho construindo com ele? Em que momento e de que forma expresso meu amor e afeto? Quais as prioridades e renúncias eu promovo para estar com ele? Quais os limites que estabeleço para a sua educação? Será que sou capaz de me tornar uma pessoa melhor para ajudá-lo? Percebo as consequências futuras da nossa relação se falhar agora?

Esforça-te pelo amor! Aquele filho que tens maior dificuldade em lidar, adota-o hoje enquanto comungas com ele a mesma jornada. Reconcilia-te para que uma nova história seja vivida. Busca maiores entendimentos com momentos de pacificação e cumplicidade. Afinal, nunca é tarde para aceitar e amar.

Não sejamos nós os futuros órfãos do amor mal resolvido. Hoje nossos filhos nos solicitam a atenção constante. Amanhã poderemos ser nós a desejar-lhes a presença e o afeto.

* Cintia Andrade Moura é mãe adotiva, escritora e integrante do Gead (Grupo de Estudos e Apoio à Adoção do Recife)

domingo, julho 28, 2013

UM CASO DE AMOR DE FAMÍLIA - O CASAMENTO DE HUGUINHO E PATY




Nestas últimas semanas, passei por fortes emoções que me fizeram parar e refletir. 
Primeira, a expectativa e a ansiedade para ir ao casamento de Huguinho e Paty como também aos 96 anos de D. Nenzinha, uma querida amiga, mãe de Dey, minha querida cunhada, irmã e amiga. Nada poderia impedir-me de ir para Jequié e essa agonia da chegada do evento amado, me fez, por várias vezes recorrer ao famoso Lexotan.
Segunda, a ida para Jequié no ônibus da Camurujipe para a qual comprei a passagem com um mês de antecedência, de ida e volta na poltrona 1. Fui para Jequié numa ansiedade louca e com frio pois estávamos a 18º C dentro do ônibus. Outro Lexotan foi adicionado em minha boquinha para que eu relaxasse. E lá cheguei em Jequié com malas e pacotes dos presentes para os noivos. 
Estava tão cansada que após aos bate-papos da chegada e do café, dormi que nem uma anja! 
Terceira, a festa de D. Nenzinha que  foi assim demais teve o almoço até que fiz alguma coisa: um tabule que ficou ótimo e para a noite minha ajuda foi um daqueles sanduíches que gosto de fazer colorido.À noite, transcorreu em rítmo de alegria com todos da família de Dey, os noivinhos que tb fizeram o chá de cozinha e alguns membros da nossa família.Afinal, são todos nossos!
Vera e Aloísio Rebouças compareceram também na 5ª feira para parabenizar Hugo e Dey pelo casamento, casal que amo!
Quarta emoção, o dia do casamento que contou com a presença de Polly, minha filha, Socorrinho e Tony, Cynthia, Paulo e Peu que foram especialmente para o evento. De Jequié, fomos para Itiruçu, pois foi lá na casa da mãe da noiva e na Igreja Santo Antonio de Itiruçu o enlace matrimonial tão esperado. Foi um casamento lindo, até fiquei surpresa pois tudo foi feito tão corrido, em pouco tempo que minha alegria e emoção foi redobrada. Fui uma das madrinhas junto com Polly que foi acompanhada por Vitor e eu por Déo o irmão de Dey. Estavam todos lá e mais uma porção de convidados da cidade de Itiruçú que foi em peso e de Jequié. Posso citar: quase todos os irmãos de Dey: Dilson e Tânia, padrinhos de Huguinho,Dermeval e Aucileide, os filhos de Déo com seus filhos e maridos, Brenda e seu filhinho, (só não foram Pedrinho , pois teve a gentileza de ficar tomando conta de Ruy, que também não quis ir, fato compreensível e o de Ipiau com a mulher e os filhos que tb não puderam ir), mas lá compareceram Antonio e Olga, Igor e Sheila, Candy, Tia Nanan, Novita e Davi.E de muito longe, vieram de Pernambuco, o cunhado de Neto com a esposa e filhos, a cunhada Marnete e a filha dele, Luana que foi a dama de honra. Hugo e Dey, D.Nenzinha que enfrentou o frio com o amor de seu Pedro. Lindos! 
A cerimônia celebrada por Monsenhor Aroldo, que especialmente foi de Jequié para abrilhantar ainda mais a cerimônia solene, alegre e santa.A Igreja estava deslumbrante, bem decorada e cheia de convidados. 
A familia da noiva Darlane ou Paty, como gosta de ser chamada carinhosamente, foi de um brilhantismo ímpar.A  Pessoas que amam meu sobrinho e que nota-se o carinho a ele dado. Fiquei muito emocionada e feliz por isto. Deu-nos uma acolhida aconchegante e notoriamente especial nos deixando à vontade.Pedi a Deus que os abençoasse e agradeci por a família de Hugo, Deyse e nossa podermos fazer parte da família de Paty. Gente dígna e cheia de fé.
A cerimônia na Igreja foi linda e a recepção no salão de eventos também foi de primeira! O bolo estava gostoso e muito bonito. Muitos docinhos e salgadinhos animavam as pessoas.
A festa também foi linda e alegre e durou até 5 horas da manhã, apesar do frio de 17 ou 16ºC. 
No dia seguinte, fomos para Jequié e lá transcorreu um delicioso churrasco. Foi muito bacana e veio uma van de Itiruçu com os parentes de Paty e amigos.
Bem, assim foi a festa e minha emoção maior ao ver Hugo chorar e abraçar o filho que acabei também desabando no choro. Aliás aquele dia eu estava sem o Lexotan e chorei quando ouvi a cantora na igreja com uma voz maravilhosa entoar o cântico prefiro de mainha, Senhor eu sei que tu me sondas e mais emocionada eu vi duas andorinhas que voaram durante a cerimônia toda por entre os noivos. Perguntei-me: serão mainha e painho? Fantasias à parte.
Bem, como tudo não é só alegria vem a parte da minha mágoa e talvez de Hugo meu irmão que não mencionou mas senti que ele reparou: não foi um só membro da tão falada e grande família Rebouças que a pouco tempo atrás, na casa da prima Cecília,( Cecília, eu desculpo, pois foi gentil em se desculpar por não poder ir) falou em reparação, aproximação da família. Tudo encenação. Não quero ser antipática mas foi o que senti.Ninguém teve a consideração a Hugo e Deyse para um toque ao telefone felicitando-os pelo evento. E que eu saiba até hoje nem ligaram. Porque minhas irmãs Maria e Consuelo, Vinza e Francesca que não puderam ir, tiveram a gentileza de ligar e até enviaram presentes aos noivos. Não falo pelos presentes, mas pela presença nem que fosse um telegrama. Mas...Deixemos para lá pois a vida é bela e a caravana passa.
Hoje estou aqui em casa, sozinha pois Polly saiu, e, fiquei matutando como escreveria a festa e a minha ida lá em Jequié. Pitacos de crítica a quem não deu sinal de vida eu quis dar, não por mim, pois a mesma família Rebouças na formatura de Polly ignorou. Será por que hein? Continuo na incógnita...Só Deus e eles devem saber.
Ah, mas quero agradecer a todos mesmo assim outras festas virão.

Deus abençoe o casalzinho querido, Hugo e Paty, que já trazem um nenenzinho para alegrar nossa família em dezembro que vem.



MODOS DE RESOLVER UMA CHATEAÇÃO!




1. Não responda imediatamente

É realmente irritante quando alguém é rude com você via e-mail, mas a situação é ainda pior se você também se torna grosseiro. Portanto, se você tem tendência a perder a paciência com esse tipo de comportamento, evite respondê-los no calor do momento. Pule esses e-mails, leve algum tempo para pensar com calma em uma boa resposta e só então volte a eles. IÓ: Eu respondi porque fiquei indignada!

2. Use respostas padrão
Crie respostas padronizadas e capazes de atender a uma gama ampla de assuntos, dessa maneira você não precisa passar pelo estresse de responder um e-mail grosseiro de maneira personalizada. Lembre-se apenas de editar o nome do destinatário e o tema sobre o qual vocês estão discutindo e então utilize a sua resposta modelo. Nesse tipo de resposta você pode comentar que está aberto a ouvir opiniões e que sente muito pelo mal entendido. Isso já vai ajudar a “amolecer” a pessoa do outro lado. Em muitos casos, devido ao acesso de raiva, as pessoas nem se dão conta de que estão sendo rudes. IÓ: Acho que a pessoa não pensou no que fez comigo pois gosto muito dela.
  
3. Abuse da gentileza
Não a ponto de parecer irônico, mas seja gentil com a pessoa que está tratando você de maneira grosseira. Receber um e-mail educado logo após um acesso desnecessário de raiva pode desmontar os argumentos do seu destinatário. Para isso você pode reconhecer a frustração da pessoa e, logo após, mostrar todos os seus esforços em resolver o problema. Lembre-se de ser o mais educado possível, para que a outra pessoa não tenha motivos para desvalorizar o seu trabalho. Ió: tipo bofetada de mão de luva!

 4. Tenha um amigo “cabeça-fria”
O problema com os e-mails grosseiros é que nós somos incapazes de não torná-los um problema pessoal. É muito difícil evitar que esse tipo de correspondência afete o nosso dia. Por isso, uma boa ideia é encontrar um amigo que esteja fora da situação para que ele opine. Procure não atrapalhar demais o trabalho dele, mas se você sente que está envolvido demais naquele problema, pela a ele que dê uma olhada no que você está prestes a enviar. Um parecer neutro pode ser útil nesses casos.Ió: conversei com minha filha pois ela tem bom senso e critérios.


 5. Prossiga com o seu trabalho ou sua atividade

Deixar que um e-mail desse tipo destrua o seu dia de trabalho ou sua atividade  não faz o menor sentido. Uma vez que o problema foi resolvido, desligue-se dele e siga a sua vida. Lembre-se de que sempre existirão pessoas grosseiras, seja por e-mail ou pessoalmente. O que você pode fazer a respeito disso é não deixar que elas afetem a sua vida. Ió: Porém, não estou conseguindo relaxar e esquecer. Só o tempo!


sábado, julho 27, 2013

VOCÊ SABE O QUE SER FEMINISTA? FAÇA O TESTE!

Gostei muito desse texto a respeito do FEMINISMO, para quem fica na dúvida, coisa que nunca tive, do que é ser feminista.

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Esclarecendo o feminismo para leigos. É comum escutar: “Não sou feminista, sou feminina”; “Não sou feminista e nem machista”. Mas será que você sabe o que é feminismo? Descubra

Por Clara Averbuck*
É assustadora a quantidade de gente que não sabe o que é feminismo. Ninguém tem a obrigação de saber, é claro, mas a partir do momento em que você decide opinar sobre um assunto, é de bom tom saber do que se trata.  As pessoas são “contra” o feminismo sem sequer saber o que significa.
É comum escutar:
“Não sou feminista, sou feminina”,
“Não sou feminista e nem machista”,
“Não sou feminista e nem machista, sou humanista”,
“Não sou feminista, os homens são meus amigos” (essa chega a causar azia),
“Não sou feminista, acho que todos deveriam ser tratados igualmente e ter os mesmos direitos”.
Bom, vamos lá.
Feminismo não prega ódio, feminismo não prega a dominação das mulheres sobre os homens. Feminismo clama por igualdade, pelo fim da dominação de um gênero sobre outro. Feminismo não é o contrário de machismo. Machismo é um sistema de dominação. Feminismo é uma luta por direitos iguais.
Então se você diz “não sou feminista, acho que todos deveriam ser tratados igualmente e ter os mesmos direitos” você está dizendo, exatamente: “não sou feminista, mas sou feminista”. E se você se diz humanista, bom, acredito que saiba então que o humanismo é uma filosofia moral baseada na razão humana e na ética, que coloca o ser humano acima do sobrenatural, de deuses, de dogmas religiosos, da pseudociência e das superstições e que não tem nada a ver com o assunto.
Existe essa grande falha lógica que é o sujeito achar que você tem que ser contra uma coisa pra ser a favor de outra; neste caso, “contra” os homens para ser “a favor” das mulheres. O feminismo não luta contra os homens, e sim contra o supracitado sistema de dominação, que, veja só, privilegia os homens e foi criado por… homens. Fica clara a diferença entre lutar contra um sistema e lutar contra todo um gênero?
Feminismo não tem nada a ver com deixar de usar batom, salto ou dar de quatro.
Feminismo não tem nada a ver com ser inimiga dos homens.
Feminismo não tem nada a ver com esconder o corpo; muito pelo contrário, exigimos o direito de andar com a roupa que bem entendermos sem assédio ou constrangimentos. Taí a Marcha das Vadias que não me deixa mentir.
Feminismo não tem nada a ver com morrer solteira de bigode.
Feminismo não tem nada a ver com não ter filhos, e sim com a escolha de como e quando esses filhos virão, e se virão.
Feminismo não tem nada a ver com não ser feminina.
E nem com ser.
Feminismo tem a ver com liberdade, com eu, você, elas e eles podermos todos viver e ser sem ninguém dando pitaco em como devemos nos portar, como devemos nos vestir, o que devemos dizer, do que devemos fazer com nossos corpos.
feministas marcha vadias feminismo mulheres
Feminismo é sobre liberdade (Imagem: Divulgação)
Outra coisa importante: nem todas as feministas estão de acordo a respeito de todos os tópicos. Cada um constrói seu feminismo. Como disse a Tavi Gevinson, a jovem editora da RookieMag, em uma palestra do TEDxTeen, o feminismo não é um livro de regras, mas uma discussão, uma conversa, um processo. E cada um tem o seu.”Feminismo, caros, não é uma seita que reprime e excomunga quem quebra seus preceitos.”
Vale sempre lembrar que o mundo machista também oprime os homens com esse negócio de que eles têm que ser os provedores, que eles têm que ser durões, que não podem chorar, que não podem demonstrar nenhuma característica atribuída ao feminino porque isso é considerado uma fraqueza – já que as mulheres são consideradas mais fracas, logo, inferiores. Gay é “xingamento” porque ser gay é ser um homem mulherzinha. Gente, não dá mais isso, 2013, sabe? Chega de reproduzir conceitos sem sequer parar para pensar neles
FAÇA O TESTE PARA SABER SE VOCÊ É FEMINISTA, NÃO DÓI!
Eu sou e muito!

Há um teste simples pra saber se você é feminista.
1. Você concorda que uma mulher deve receber o mesmo valor que um homem para realizar o mesmo trabalho?
​ 
Ió: sim concordo.​

2. Você concorda que mulheres devem ter direito a votarem e serem votadas?
​ 
Ió: sim claro!​

3. Você concorda que mulheres devem ser as únicas responsáveis pela escolha da profissão, e que essa decisão não pode ser imposta pelo Estado, pela escola nem pela família?
​ 
Ió: claro, totalmente.​

4. Você concorda que mulheres devem receber a mesma educação escolar que os homens?
​
 Ió: Totalmente a favor!​Até melhor.

5. Você concorda que cuidar das crianças seja uma obrigação de ambos os pais?
​ 
Ió: Sim, não só dos filhos como da casa.​

6. você concorda que mulheres devem ter autonomia para gerir seu dinheiro e seus bens?
​ 
Ió: Claro que sim!​

7. Você concorda que mulheres devem escolher se, e quando, se tornarão mães?
​ 
Ió: Claro, é uma escolha dela.​

8. Você concorda que uma mulher não pode sofrer violência física ou psicológica por se recusar a fazer sexo ou a obedecer ao pai ou marido?
​ 
Ió:Claro que sim, isso é abuso.​

9. Você concorda que atividades domésticas são de responsabilidade dos moradores da casa, sejam eles homens ou mulheres?
​ 
Ió: Claro que concordo.Mulher não é escrava.​

10. você concorda que mulheres não podem ser espancadas ou mortas por não quererem continuar em um relacionamento afetivo?
​ 
Ió: Antigamente, meus pais me diziam que em mulher não se bate nem com uma flor. Claro que concordo.​

Respondeu sim pra tudo?
​ 
Ió: Sim tudo!​

Está confortável na cadeira?
​ 
Ió: Sim!​

Você é feminista. Uau!
​ 
Ió: Nunca tive dúvidas quanto a isto.​

Você não precisa ser ativista para ser feminista. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Se você acredita na igualdade de direitos entre homens e mulheres, você é feminista.
As pessoas confundem feminismo com um monte de coisas. As pessoas têm medo da palavra FEMINISMO.
​
Ió: E tem gente que acha que ser feminista é ser masculina.​Tenha dó!

Feminismo. Feminista. Feminismo. Feminista. FE-MI-NIS-MO.
Feminismo é sobre liberdade.
E é difícil ser realmente livre neste mundo.
*Clara Averbuck é escritora, feminista e encontrável no claraaverbuck.com.br (CartaCapital)

domingo, julho 14, 2013

CASAMENTO DE HUGUINHO E PAT



Vou para Jequié participar do casamento de meu sobrinho como madrinha. É a primeira vez que sou umas das madrinhas de um casamento e fiquei muito emocionada com o convite. Terei como par, meu amigo Del, irmão de minha cunhada Deyse. Meu irmão Hugo está contente pois vai ser vovô. Também será o aniversário da minha querida "veinha" d. Nenzinha,mãe de Dey, pessoinha do meu coração, que conseguiu fazer uma família de bem e unida. São todos excelentes pessoas que nos tratam muito bem e com amor. Graças a Deus Hugo faz parte dessa família de Seu Pedro e d. Nenzinha. Ruy, aos cuidados deles, é muito bem tratado, com carinho e atenção. Peço sempre a Deus por todos e que sejam muito felizes e que esse bebêzinho (espero que seja menina) para alegrar mais os corações de todos. BEM, VOU LÁ E VOLTO!
Até dia 24 ou se os afazeres do casamento me sobrar tempo eu escrevo aqui de novo.



terça-feira, julho 02, 2013

VALE A PENA FICAR POR DENTRO! CARTA ABERTA A FHC

Uma carta aberta a FHC




Uma carta aberta a FHC que merece ir para os livros de história
09/09/2012 

O texto é um primor e contribui tanto para entender o quanto o governo do PSDB foi deletério para o Brasil como ajuda a impedir que a mídia tente “lavar branquinho” a história e produzir uma nova versão do que foram os anos FHC.

THEOTONIO DOS SANTOS: CARTA ABERTA A FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Meu caro Fernando,

Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960.

A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete contudo este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. 

Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação.Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população.

Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependência: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000). Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.

O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartilhar com você…

Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação.

Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. 

Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário. No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos.

TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. 
E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. 

Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização.

O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar.

E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese?

Conclusões: O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. 

O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.

Segundo mito – Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal?

Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade.

E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. 

Um governo que chegou a pagar 50% ao ano de juros por seus títulos para, em seguida, depositar os investimentos vindos do exterior em moeda forte a juros nominais de 3 a 4%, não pode fugir do fato de que criou uma dívida colossal só para atrair capitais do exterior para cobrir os déficits comerciais colossais gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação, agravada ainda mais pelos juros absurdos que pagava para cobrir o déficit que gerava.

Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou drasticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo.

Vergonha, Fernando. Muita vergonha. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identificar com o seu governo…te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana."

Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. 

Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS.

Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição os 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia. 

Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida.

O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. 

A ameaça de Lula existiu exatamente em consequência deste fracasso colossal de sua política macroeconômica. 

Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado.

A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações.

A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. 

Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas.

Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. 

E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este país.

Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. 

Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entrou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional.

Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente.Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política.

Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer.

E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo.

Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o verdadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora.

Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês ( e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro.

Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a frequentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.

Com a melhor disposição possível, mas com amor à verdade, me despeço.


Theotonio dos Santos