segunda-feira, fevereiro 17, 2014

HUGO, MEU IRMÃO!



Vejo-me no dever de escrever ainda sobre meu irmão Hugo. 
Convivi com ele desde que nasceu, companheiro de brincadeiras no quintal, gostava de me pegar peças se fingindo de morto só para me ver chorar e depois dava risadas. Sempre tive um carinho e um afeto especial por ele.

Hugo era um cara bacana em tudo:
carismático, bom, honesto, sincero, sem maldades,nunca bebeu e nunca fumou, sem mentiras, amigo aos extremos. 
Um cara que da vida só queria ganhar um "dinheirinho",e para isso sempre jogava na loteria,se ganhasse, fazer o que mais gostava: ir à praia, curtir com sua família e amigos. Queria  o melhor para todos sem pensar em si mesmo, tanto, que descuidou da sua saúde. 

Como filho foi maravilhoso para seus pais, como marido exemplar, fiel e amoroso, para sua esposa  Deyse, 15. Foi um pai carinhoso, amava demais seus dois filhos, Huguinho e Vitin,(como ele o chamava) e uma afilhada de quebra, Polly, minha filha que o adotou como pai.

Por felicidade, a vitória maior: conseguiu ser avô,um avô babão, apaixonado pelo netinho.E João Pedro que lhe proporcionou momentos de alegria nesse último mês de sua vida, foi um presente de Natal! Cochichou ao seu ouvido: " Seja Botafogo como seu vovô, mas não fale com painho, ele é flamenguista. E deu primeira bola de presente de Natal.

Seus amigos o chamavam Hugão. lá na Praça Rui Barbosa, seu lugar favorito de lazer,o Bizu, ficava zangado quando não podia ir para o bate-papo costumeiro com seus amigos Passarinho, Erasmo, Mário Pinto, Zé Pedrical, Simõezinho,Chico,Edvaldo, Zezé, Paulo entre outros que não sei os nomes. Estes amigos zelavam para que Hugão se distraísse ali, ora comendo um churrasquinho, tomando um guaraná diet, ora dando risadas das piadas deles e dos causos. Ouvi  um deles dizer que Hugão era bom de baba, lá no fundo do quintal de nossa  casa, tinha uma "bicuda" invejável. 
A vida tirou-lhe os pés, mas não a vontade de ouvir seu BOTAFOGO jogar. Gostava de ver bons filmes de comédia, principalmente, Zé Trindade e outros. A vida, também, tirou-lhe a visão. Restaram-lhe as mãos, os ouvidos e a boca, graças a Deus. E com esses sentidos continuou sua vida, que achava dura, porém, corajosamente seguia em frente e queria mais.Dançava na cadeira de rodas ao som de Elvis Presley e Chubby Checker. Ouvia as novelas do SBT, os políticos debatendo no Senado e na Cãmara. Fã da Rádio Globo de madrugada.Das FMS como Bola de Ouro de seu amigo Vidal,que lhe oferecia cafezinhos e da Rádio Metrópole, de Mário Kertezs pela internet, ouvia os comentários e dava suas opiniões.Um de seus amigos, Zé Del Sarto o chamava de Quarenta, apelido no TG, que apesar de perto de casa dava carona a ele todos os dias no Jeep. Com emoção, me disse que nunca mais poderia o chamar na rua, de Quarenta.

Ele gostava de me atanazar falando do PT, de Lula e de Dilma,sabendo da minha paixão por eles, só para aflorar uma conversa acalorada sobre política.

Aliás, foi Hugo que em 1986, me filiou primeiro ao PMDB daqui de Jequié, depois me incentivou a ficar no PT, pois seria melhor para meus ideais políticos.
Sempre ouvia o programa na FM da Câmara de Vereadores de Jequié e um programa de Jazz,que Eduardo Sinhorinho fazia na rádio,esse amigo que o beijava na cabeça todas as vezes que o via, ele gostava e comentava sobre Eduardo Senhorinho e seus beijos.Sorrindo com isso.Penso que é difícil para um homem sentir um beijo carinhoso de outro homem, mas era de um amigo.

Hugo, meu irmão, foi uma pessoa que aceitou com humildade tudo que a vida lhe deu:todos os seus sofrimentos e as coisas boas como sua família,seus parentes e seus amigos.
Suportou com coragem as atribulações e a dor de partir quando mais queria viver.Suas últimas palavras à Dra. Cristina Bitencourt, prima e amiga, que lhe deu os primeiros socorros: "Ainda bem que segurei meu netinho hoje..." 

O sofrimento da família agora acabou com a sua partida, porque é duro ver um ente querido penar tanto numa UTI, contudo, a saudade que é enorme e as lembranças deixadas por Hugo estarão sempre nos corações de sua esposa,Dey-15, seus filhos, Huguinho e Vitin,sua nora Pat e seu netinho,João Pedrinho,sua nora Iracema, os sobrinhos,Socorrinho, sempre presente, os cunhados e cunhadas,que foram um amparo para ele nos grandes momentos de alegria e de dor, seu sogro Pedro e sua sogra Nenzinha e de seus irmãos Maria,Francisco, Consuelo, mesmo de longe, Antonio, muito emotivo e Olga,Islan, sua madrinha e companheira de todas as horas e que batia papo sobre notícias atuais,relambrando a infância e toda a vida que viveram juntos, Ruy-Caim que o chamava de Abel, e eu, essa chorona.
Quero também falar da amizade dele com Valdinha, Zé Borges e seus filhos muito amados por ele. Cléo do Basquete e Miriam.Seus cunhados Dernival,Neto,Dilson,Pedrinho,Déo,Deildo e Tânia, uma cunhada predileta.
Érica, sua afilhada muito constante no hospital e em sua casa.A enfermeria Márcia que cuidou dele com carinho.
 
Desde que Hugo ficou na UTI,no dia 09 de janeiro, parentes e amigos, davam a maior força para que ele se recuperasse.Dentre muitos, estavam presentes constantemente, além de Deyse, Huguinho e Vitinho, Novita Rebouças, Tia Nanan, Passarinho,incansáveis nos momentos de visitas, nas horas dos boletins. Alegrávamos com as boas notícias contudo, sofríamos quando as coisas pioraram.
Voltávamos para casa agoniados e sofridos.

Agradeço a todos os que enviaram com mensagens de esperança para Hugo em sua estadia na UTI.
Os amigos do Facebook e de todos os lugares.

A minha revolta com a perda de Hugo é um sentimento que me fez blasfemar, não contra Deus, porém, contra a "criatura" que leva aqueles que amamos, sei lá pra onde. 

Deixo para você, Hugo, onde estiver, espero que junto aos nossos pais e ao redor dos anjos, pois você é um anjo agora, um abraço enorme e um beijo da sua irmã para sempre Ió.

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