quinta-feira, abril 05, 2012

NOSSA CASA EM JEQUIÉ, ELA DORME NO SILÊNCIO!

 Polly com 1 ano na mangueira da Casa!
Esta crônica eu fiz quando percebi que já estava sem a nossa cas lá de Jequié! Quantos sonhos e lembranças ficaram lá!Mas, como diz minha filha Polly, é a vida!

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A GENTE VÊ A CASA.
PAZ!
A CASA DORME EM SILÊNCIO!
Já cinqüentenária, a casa em que eu vivi até hoje, desde tenra idade,
Traz em minhas lembranças:
Emoções alegres, às vezes tristes, muitas surpresas.
Foi nela que aprendi muito do que sei, foi nela que  vibrei com as brincadeiras na infância, adolescência e parte de minha juventude:
Esconde-esconde, picula, cirandas, casa de boneca (maior do que eu),
Parque com escorregadeira, balanço, gangorra...
Rei e rainha, berlinda, anelzinho, cabra-cega,puxa-corda, “cozinhados”,
Batizados de bonecas, capitão, macaco, melancia e entre tantas outras...
Meus pais faziam de tudo para nos ver felizes e  de tudo nos proporcionavam, até filmadora e projetores onde fazíamos da copa, uma sala de cinema. Ah, como era bom tudo aquilo, meu Deus!
Misturados com crianças e crianças de minha rua e de outras, foram crescendo comigo e a curiosidade para tudo...
Ouvindo histórias, comentários de jornais, com meu pai e minha mãe aprendi histórias de suas vidas, de seus antecedentes e quanta mistura de raças: Itália, África, Portugal, Holanda e de nosso Brasil Indígena, em minha grande família..
Na escola, estudei com meus irmãos, para o nosso conhecimento e boa educação até o sofrido piano...
Tarefas de vida, adolescente sem grandes rebeldias, conheci o primeiro amor. Foi nesta , tão amada, casa do quintalzão, que vi comemorações, casamentos, aniversários, reuniões, tantos comes e bebes, freqüentados por parentes, amigos e amigos...amigos??!!!
Até padre, freiras e bispos!
Inimigos. Se os tivemos não foram levados em conta por meus pais.
Houve choros também, por amores, por decepções de vida, por questões existenciais, até por injeção de Benzactacil,ai,ai ai!!!!
Ah, contudo o melhor de tudo é que apesar dos pesares fomos muitos felizes nesta casa. E a ela retornei após anos morando em Salvador, em 1986,
com minha filha Poly, que curte esta “cazona” com tudo que ela tem direito.
Uma casa que atrái e é tão misteriosa.

Em, 10/10/02.

Iolanda Rebouças dos Santos (Ió)

Em 2004, 28 de março, minha mãezinha morreu, e com ela foram todos os sonhos, as lembranças, a vida naquela casa.Sei que todos vão sentir falta e até chorar. Foram tantas vidas ali vividas.
Foi vendida ontem, dia 10 de janeiro de 2006
para uma médica de Jequié - Dra. Lucidalva Rossi. Eu estou me sentindo com um vazio, mas não posso deixar me abater.A vida passa.Vão-se os anéis e ficam-se os dedos.Bola pra frente agora!
Espero que nós os irmãos fiquemos agora juntos para que também não se separem as nossas vidas.
Abaixo a nossa Casa.Hoje, ela dorme em silêncio! Não se defendeu, não chorou, muita dignidade ali naquela casa.

Ainda hoje, quando vou a Jequié, evito passar por lá, acho que são os anos, os cabelos brancos, me deixam nervosa, emocionada. A casa ainda está lá, íntegra? Não sei! Ah se Deus me desse a sorte de eu ganhar na loteria, compraria ela de volta e faria uma pousada para os parentes e amigos que quisessem ter uma hospedagem familiar.(2012)Casa, aguarde por mim!
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