segunda-feira, outubro 04, 2010

Crônica de uma família - Primeira Parte




Era uma vez... Uma família!

Tudo começou quando o avô quis namorar a avó...
Eram duas famílias tipo as de Romeu e Julieta. Só que as mães é que se detestavam.
Imagine que eles se namoravam de longe, ela até o espiava pelo buraco da fechadura e ele ficava no jardim da praça, perto da casa. Não sei como foi, pois quem sabia já morreu, eu acho, mas o fato concreto é que acabaram-se casando.
Minha avó, uma mulher elegante e bonita, com cabelos fininhos e lisos. Dependente de índios por parte da mãe que dizia sempre que “a bisavó foi pega a dentes de cachorro”... Rsrsrsrs! Desconfiada como ela só.
Já meu avô era moreno, olhos verdes (já pensou? Um gato como se diz hoje). Tinha os cabelos castanhos e crespos. Era descendente de negros e europeus. Sei que é uma mistura e tanto nessa família adorável.
Pois bem, casaram-se e formaram uma bela família com nove filhos vivos e algumas perdas. Minha mãe foi a primeira filha que recebeu o nome de uma rainha egípcia, Zenóbia. Sei que vivos nas primeiras décadas do casamento foram os seguintes filhos:
Antonio, Jonas, Manoelito, Auristela, Gilberto e Humberto (gêmeos), José e Israel.
Também havia Zuleica e Zelinda que morreram meninas, uma queimada e a outra de alguma doença infantil não identificada... Que denominaram “barriga d’água”.
Meu avô vivia viajando e por essas andanças constituiu outra família, sem que minha avó soubesse. E com a nova mulher ele teve mais cinco filhos: Benício, Zoraide, Edna, Aloísio e Luzia. Como não presenciei, a não ser após a morte de minha avó, não sei muito a respeito deles. O que posso afirmar que são pessoas boas e formamos atualmente um único e grande núcleo familiar.
Hoje em dia, em 2010, posso lembrar-me de fatos que marcaram várias vidas nessa família. Eu nasci de Zenóbia, primogênita dessa família, que foi casada com o médico Antônio Astolpho. Sou a 4ª filha de seis.
Vivi durante muitos anos observando como a família Rebouças era unida, alegre apesar de alguns problemas que toda família grande tem. Havia festas na casa da minha avó, principalmente em seu aniversário, onde se reuniam todos os ramos: filhos, genros e noras, netos e parentes de todo canto que iam para a casa dela, um casarão bonito que ficava na Rua da Itália, em Jequié. Ela ficava muito feliz!
Depois o tempo passou e a família, por necessidade de alguns membros, separou-se. A própria avó veio para Salvador. Muitos anos depois, não sei por que também voltou para Jequié e lá ficou até sua morte.
A família que era linda, dizem que por causa crescimento e necessidade, em vez de ficar unida se dissipou e o curioso que tem pessoas que nem conheço.
Hoje tenho uma filha que também não conhece quase ninguém. Apesar do esforço que faço em manter a união, mas tem gente que nem quer saber da existência. Muitas vezes o local de encontro... é até digno de risos, enterro de alguém. Porque até casamentos que antes era também uma forma de se encontrar, não convidam mais.
Penso que o dia-a-dia é que faz isso: as pessoas se tornam egoístas e diminuem o círculo a cada dia. Por que seria?
Fico muito triste. Eu pretendia fazer uma crônica interessante. Contaria fatos engraçados e curiosos dessa família. Mas resolvi não me expressar mais.
Cansei!
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